Desde menino a corrida de São Silvestre tinha minha atenção, enquanto a maioria das pessoas se divertia com a queima de fogos e os festejos da virada do ano (naquela época a corrida era realizada a noite), eu preferia estar diante da televisão, curioso para saber, o que motivava tanta gente a deixar seus lares em uma data tão especial, para correr pela cidade de São Paulo. Percorrer 15 km, na época, era para mim uma coisa surreal, pois não era adepto a nenhum esporte. Lembro que no ensino básico (na época ainda ginásio) jogava um “futebol fraquinho” e no máximo e esporadicamente, me arriscava com o resto da molecada a joguinho de vôlei, na rua.

O tempo foi passando e buscar uma oportunidade profissional era obrigatório: época em que a necessidade dos jovens se empregarem mais cedo era muito forte. Fiz de tudo um pouco: Office boy, ajudante (até hoje não sei quais eram exatamente minhas funções - rsrsrs), além de muitas outras atividades. Em maio de 1987 fui apresentado ao meu destino atual: o TURISMO. Ingressei numa agência e nela me mantive por 03 anos, aprendendo o suficiente para desenvolver adequadamente meu trabalho. Com maior bagagem profissional fui para outra agência e lá permaneci por 10 anos. Houve um período em que trabalhei como “free lancer”, para ser mais preciso no ano de 2001, época em que os ventos não estavam propícios a novos negócios: mercado estagnado falta de perspectivas e muito indecisão financeira no país. Porém, eu e um sócio, negligenciando as estatísticas, compartilhamos um sonho: montar a “CW Tour” e assim nasceu a empresa, bem no meio de uma crise nacional.

Nesta altura do relato, você leitor, deve estar se perguntando sobre qual a relação do meu histórico profissional e as corridas? Já explico: Mesmo com tantas barreiras e atividades profissionais, as corridas não me saiam da cabeça, sentindo vontade de calçar um tênis e me aventurar por ai. Após um período a agência começou a alavancar e com isso também vieram maiores cobranças e responsabilidades, mesmo assim decidi iniciar alguns treinos, próximo à minha casa, sem nenhuma pretensão, auxilio ou instrução profissional: Calçava os tênis e fazia o que dava, sem metas, sem foco ou preparo para tal, simplesmente corria.

Em 2008, após uma fase difícil, reviravolta pessoal, onde o certo se transformou em incerto, descubro que tudo deveria se reiniciado. Senti necessidade de entrar numa academia para que pudesse cuidar mais do corpo, de maneira mais cuidadosa e profissional. Ali recebi a orientação profissional, correr pelo menos 30 minutos na esteira, a cada dia de treino. E pela primeira vez tinha o compromisso de fazer a atividade de maneira ordenada, com tempo e quantidade previamente determinada. Corria 03 vezes por semana, além de fazer 01 hora de musculação completa. Em virtude da falta de condicionamento físico, no final de semana meu corpo pedia arrego, nesta fase percebi que o aquecimento na esteira, na verdade se tornaria o meu treino principal. Gradativamente aumentei a velocidade e logo percebi que além de manter uma boa massa muscular, minha resistência tinha aumentado e migrar para a corrida de rua veio de forma natural. Recebi um convite para participar de uma prova com distância de 5 km. A adesão foi imediata, pensava que seria fácil, pois tal distancia já alcançava na esteira, portanto não teria nenhuma dificuldade em conseguir concluir a prova na rua. A experiência me mostrou que correr no asfalto é diferente e muito mais emocionante. Estar junto com a galera era meu mundo. Naturalmente como principiante, quis testar meus limites e acompanhar os mais experientes e acabei comprometendo a prova. Aumentar a velocidade acima do que se está acostumado tem como consequência, terminar a prova “quase sem fôlego”. Passei por esta experiência, porém feliz da vida por receber a primeira medalha de participação.

Fui me envolvendo em outras corridas, porém o sonho de participar da São Silvestre ainda permanecia vivo, assim como a dúvida sobre a minha capacidade de participar de um evento com tamanha exigência. Meus treinos se desenvolviam a cada mês, assim como meu interesse por uma melhor postura enquanto praticava esporte, com o intuito de melhorar minha “performance”, principalmente por que eu era considerado pelos médicos como um cardíaco leve. Sempre ficando uma pequena barreira entre o que eu desejava e o que eu realmente poderia fazer.

Profissionalmente os desafios também foram aumentando: a CW Tour enfrentava novas politicas de mercado, crises setoriais, novos clientes e, portanto maior necessidade de envolvimento e atenção. Diante deste cenário surgiu o sonhado convite: A São Silvestre! Foi imediato, não pensei 02 vezes, meu desempenho já tinha melhorado e correr 10 km já fluía sem tanta dificuldade. Iniciei os treinos de forma “espartana”, isto é: aumentei a frequência dos exercícios, com treinos mais ousados, para que pudesse estar preparado para a famosa subida da av. Brigadeiro Luiz Antônio. Nesta época a largada se dava as 17h00 em horário de verão.

Foram quase 03 meses de planejamento, alguns dias treinava sozinho e noutros com meu amigo (FRED) que também enfrentaria a prova. Gradativamente fui aumentando a intensidade do treino, satisfeito com meu desempenho. E finalmente chega o grande dia: Kit nas mãos, planejamento concluído, bastava correr e foi o que fizemos. O início da prova foi tranquilo, até o KM 3,5 o trajeto ajuda muito. Era um dia de calor intenso e uma grande chuva caiu sobre nós, e eu a recebi como uma dádiva. Resultado final: além da medalha, aquele peito carregava uma enorme felicidade, me sentia orgulhoso por participar de uma prova tão famosa e com uma “vibe” tão forte. Dentro de mim, o coração pulsava mais forte, mas era de alegria.

Vieram novas corridas, circuitos, e uma nova inquietação bateu à minha porta: Convite para uma meia maratona. As coisas começaram a ficarem sérias: o volume de treino aumentou, número de amigos correndo junto diminuiu, porém persisti, fui atrás dos meus sonhos: Troquei de academia e procurei ajuda com profissionais especializados nesta modalidade. No início me sentia um peixe fora d’água, linguagem técnica da qual não estava acostumado; tentei me especializar e me equipar: lia bastante e em cada viagem que fazia, ia buscando novos equipamentos, tênis, relógio, roupas adequadas, entre outros.

Com o aumento gradativo do treino, vieram às primeiras lesões, ocasionando um período fora de atividades esportivas e muitas seções de fisioterapia, para tratamento de uma condromalácia patelar*. Após recuperação, com uma quantidade equilibrada de treinos, fiz muitas provas de distancias variadas, desde 05 até 18 km e finalmente a primeira meia maratona, que é claro, me levou a correr uma sequencia destas provas; Foi confortante perceber que os treinos quando bem programados fazem com que o atleta tenha uma grande evolução.

Mesmo feliz com tantas conquistas percebi que faltava mais algum desafio, não sabia ao certo o quê. Numa transição de academia, conheci um grupo de corrida e decidi unir-me a eles. Percebi que estava ao lado corredores que assim como eu, viviam intensivamente de desafios. Num bate papo com meu professor Emerson Soave, fui questionado sobre a possibilidade de participar de uma maratona. Estava ciente da responsabilidade desta tarefa e por isto me calei diante da pergunta. Porém a ideia ficou martelando em minha cabeça, conforme o tempo passava, até que ao abrir alguns e-mails, minha atenção se volta para uma propaganda da ASIC´S SÃO PAULO GOLDEN RUN e num momento de pura impulsividade conclui minha inscrição sem fazer alardes. Informei meu professor, sobre a inscrição na maratona e para meu espanto, ele me apresentou na hora, uma planilha praticamente pronta faltando apenas as datas das provas. Percebi que o universo e meu professor, conspiravam a meu favor: Foram 04 longos meses de treino intenso, (eu achava que sabia o que era volume de treino rsrsrs), Ao longo destes 04 meses deveria percorrer mais de 400 km, fora os treinamentos físicos. Desde os primeiros dias percebi a seriedade da tarefa, treinava em media 05 dias por semana e mais um treino no domingo que poderia ser uma corrida de rua. Conforme o tempo passava a ansiedade aumentava. Em uma consulta de rotina à cardiologista, ela anunciou que não se sentia confortável em me mandar para uma prova destas, porém após muitas conversas ela me propôs obter a opinião de um profissional do esporte. Conforme recomendado, consultei um médico especializado em esportes, que me deixou muito esperançoso e após alguns exames concluídos, fui liberado para a maratona. O tempo passava implacavelmente e o dia “D” se aproximava

Na semana de prova fiz um preparo especial de treino e descanso para suportar o sol forte previsto para a semana. Correria junto comigo um amigo que faria apenas meia maratona, portanto me acompanharia por 21,5 km e depois eu seguiria sozinho. E chega a grande data, tudo se desenvolvendo conforme o planejado: Inicialmente não senti dificuldades, pois estava acostumado com treinos longos, fui percorrendo quilometro por quilometro com muita força e segurança. Após despedida de meu amigo no km 21, senti que não seria tão fácil concluir os demais quilômetros restantes e enfrentar o desgaste físico e psicológico. Dois grandes adversários, porém para quem é iniciante numa prova de longa distancia, o fator psicológico derruba mais que o cansaço físico. Junto com 10 km finais, vieram as dores musculares, cansaço e só com muita teimosia os km finais foram se aproximando. No caminho vi muitas pessoas que desistiram, outras machucadas e neste momento, pude perceber a grandeza de uma maratona 42.195 metros. Há poucos metros da chegada, tive a sensação que os metros se transformavam em quilômetros e nesta hora todo sacrifício é pouco. Finalmente cruzei a linha de chegada e realizei minha primeira maratona. Já não descrevia exatamente o que sentia, só sei que naquele Jockey Clube, na reta de chegada, juntamente comigo, cruzaram o cansaço, a dor, o prazer e o orgulho de mim mesmo. Recompensa de tanto esforço e dedicação, não só minha, mas de todos que auxiliaram a cumprir meta de tal envergadura. E como o que se espera de um corredor é que ele corra, após esta superação, conclui a maratona Disney e estou em pleno treino para a Maratona do Rio de Janeiro 2017. E quem sabe uma corrida de Triatlo ou prova de Iron Man? Tendo desafio pessoal, tem também no profissional: Está em gestação na agencia, um novo departamento de viagens esportivas. E assim segue a vida.

Condromalácia Patelar : Também conhecida como síndrome da dor patelo-femural ou joelho de corredor, a condromalácia patelar consiste em uma espécie de “amolecimento” da cartilagem. Não existe uma causa exata, mas a sua etiologia pode estar relacionada com fatores anatômicos, histológicos e fisiológicos. O fator mais comum é o traumatismo crônico – traumas únicos, como pancadas ou traumas mais crônicos, por fricções entre a patela e o sulco patelar do fêmur. A condromalácia patelar também pode ser o resultado de uma lesão aguda da cartilagem femoropatelar, causando fissuras e provocando desconforto e dores que não vêm da cartilagem, mas dos tecidos carregados próximos da patela.


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Obrigado!

Alexandre Augusto Palmeira

CEO da CW Tour